Deixando as garras da intuição crescer

(…) “Como o lobo, a intuição tem garras que abrem as coisas e as sujeitam; ela tem olhos que enxergam através dos escudos da persona; ela tem ouvidos que ouvem sons fora da capacidade de audição do ser humano. Com essas espantosas ferramentas psíquicas, a mulher assume uma consciência animal astuta e até mesmo premonitória, que aprofunda sua feminilidade e aguça sua capacidade de se movimentar com confiança no mundo exterior.” (Mulheres que Correm com os Lobos)

Semana passada eu tive um sonho, mas acho que esse é o final. Vamos do começo.

Eu havia passado o final de semana num retiro lá no ashram – e hora dessas vou falar sobre isso. Dessa vez, o tema era de autoconhecimento e interiorização, e fizemos algumas dinâmicas que haviam me posto a raciocinar. Além do espaço inspirador e cheio de tempo para refletir e meditar.

Eis que na volta, antes de dormir, eu resolvo pegar o Mulheres que Correm com os Lobos para continuar a leitura – estou finalmente lendo de forma linear, e não aleatoriamente como uma espécie de oráculo. E tive um sonho MUITO revelador.

Assim que acordei, corri ao meu caderninho e anotei de forma profusa tudo o que havia sido dito de revelador naquele sonho para mim. É incrível como uma situação totalmente aleatória me relembra de várias outras em que me senti lesada, abafada pelo conjunto das vontades e necessidades de outras pessoas que não eu. Sendo que logo no início do sonho, eu já sentia um desconforto latente perante o que me fora pedido. O que algumas pessoas chamam de intuição, e que eu raramente percebo.

Depois de muito refletir, comecei a nutrir essa intuição, que poderia me mostrar as ciladas que tantas vezes eu não quis ver. Mas que estavam à minha vista.

Esse é um trabalho muito específico e difícil de descrever. Eu tenho tentado alimentar a minha através da prática consistente da escrita, o registro dos meus sonhos, e com a busca sistemática de atividades que me despertam outras sensações. Nesse meio de coisas, surgiu um desejo específico e meio esquisito: deixar minhas unhas ficarem compridas.

Eu tenho as mãos longas, e as unhas compridas e largas de formato. Não preciso que elas estejam grandes para parecer grandes. Pelo contrário, as trago curtinhas bem rente há mais de 10 anos – acho que nunca as deixei crescer. Também devo admitir que, devido aos meus problemas de saúde, elas são fininhas como papel e desfolham rapidamente.

Também devo reconhecer que tenho nojo de todos os seres microscópicos que podem se alojar numa unha imensa, com formato de garra, e esteticamente nunca me agradou essa tendência da unha que parece uma lança.

Até que, do nada, passei a querer. Vejo stories de mulheres com unhas compridas, tamborilando nas mesas enquanto falam, e quero esse tec-tec-tec também. Sei que a maioria das influencers que vejo assim, usam as de gel. Eu decidi que vou criar garras, mas não vão ser sintéticas.

Do mesmo material que faço os meus ossos, cabelos e músculos, vem aí: garras compridas de intuição. E é lógico que eu sei que uma coisa não é a outra. Mas assim como as minhas unhas não estão acostumadas a serem grandes e fortes, minha intuição também não é. Então essa é uma pequena metáfora, de mim para mim mesma, cultivar os tecidos que parecem supérfluos, matéria morta. Mas que podem virar ferramentas.

E como em tudo o que faço, tenho levado esse projeto com uma dedicação obsessiva. Eu li muito a respeito dos cuidados com as unhas, como fortalecê-las e como manter as unhas protegidas. Comprei luvas de borracha para a lavação da louça, um fortalecedor para passar, e agora dedico uma atenção diária ao estado delas – principalmente as pontas, onde acabam descamando.

Vivo pintando as pontas, pois vi que a esmaltação é fundamental para proteger (como barreira física mesmo) as unhas mais frágeis. Pesquisei sobre os nutrientes e suplementos que fazem diferença no processo de crescimento e fortalecimento das unhas. Vi que tinha alguns em casa, e estou tomando diariamente. Melhorei a alimentação, só porque quero ver minhas unhas crescerem.

Esse processo de cuidar das unhas se tornou uma espécie de hobby no momento. Estou sempre pesquisando como posso fazer isso melhor. Massageio cuidadosamente minhas cutículas com os óleos fortalecedores mais indicados. Enquanto faço isso, me sinto enfronhada numa feminilidade que jamais havia me interessado antes. Vejo a mim mesma num processo de cultivo que é totalmente novo.

Eu gosto de estar envolvida com algo tão singelo e ao meu alcance, quanto as unhas da minha mão. E nesse processo, vou conectando partes que pareciam muito diferentes, separadas entre si.

Recebo um presente imenso em beleza, que é uma amiga ter tirado um tarô para mim. O hobby dela é estudar tarô. E ela o faz com generosidade, me entregando um jogo que, segundo ela, é um dos melhores que já abriu. Eu havia colocado uma pergunta guia muito bobinha, mas que é o meu grande dilema atual. Ela foi taxativa: isso não é nada. Se aligeire, para viver logo as maravilhas que estão à sua espera.

Sorri, otimista, e entrei na semana cuidando das unhas e da intuição.

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