2021, o agridoce que fomos obrigados a engolir

A caligrafia e a escrita inconfundível de minha avó.

Em 2021, meu tio mais querido e minha avó morreram num intervalo de 3 meses entre uma ocorrência e outra. Pegamos COVID na mesma época da morte da minha avó, por sinal. Já começo tirando isso da frente, para dar o panorama de que os obstáculos foram um pouco maiores do que os anos “típicos”. Nos anos típicos tampouco costumava ter pandemia, então vocês já sabem.

Apesar desses fatos, em abril de 2021 eu consegui retirar o antidepressivo e não retornei com ele. Pelo que li, para ser considerado uma recaída, há dois meses atrás eu poderia piorar drasticamente após uma temporada sem medicamento, só que isso não ocorreu. Estarei eternamente vigilante, mas é um pontinho luminoso nessa caminhada que ficou sombreada durante alguns anos.

Em janeiro, eu havia ido ao meu primeiro retiro de meditação em silêncio, e ao longo do ano todo, colhi os benefícios de levar esse projeto mais a sério. Passei a fazer aula de yoga presencial, e aumentei drasticamente a frequência da aula online. Gradativamente, isso vem moldando meu corpo, minha mente e o meu ser mais profundo, que alguns chamam de espírito, como uma argila ressecada que finalmente ganhou alguns filetes de água e começa a ficar maleável.

Em outubro, concluí a minha formação de Terapeuta Ayurveda, fiz os meus primeiros atendimentos e até criei um ebook de receitas, gratuito, que você pode baixar aqui, se quiser. Fiz de todo coração, espero que você aproveite.

Em dezembro, com as malas arrumadas, fomos conhecer Maragogi, em Alagoas, mas foi Japaratinga que me encantou mais. Reler o Vidas Secas sob a sombra de um juazeiro deveria ser um rito de passagem para todo brasileiro, e aí quem sabe assim, não teríamos tanta dificuldade no entendimento uns dos outros.

No dia 22 de dezembro, no grupo da família (aquele que costuma ser alvo de memes ácidos, não sem razão), recebi um presente do passado: dentro do livro de receitas da minha avó, haviam algumas notas soltas de quem ela já fora. Minha avó morreu, mas veio com notícias do passado, e para quem não tem mais um futuro, qualquer fragmento é útil para juntar e adoçar o presente.

Se você me perguntar o que eu acho de 2021, sou obrigada a dizer que já tive piores, e que até gostei dele, tirando as partes óbvias. Gostei do que fiz com ele, apesar do gosto amargo em certos pontos.

E o seu 2021, como foi?

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