O que meu epitáfio diria, se eu o escrevesse

Thais morreu cedo porém viveu muito. Não deixou um tostão furado, gastou tudo em vinhos, lanchos, viagens e diversos suplementos.

Sempre quis ser meditadora, e meditou o máximo que conseguiu nos últimos anos. Aos 37 anos, viu os joelhos bem de perto, fazendo yoga – ela nao tinha essa flexibilidade desde os 12 anos.

Se dedicou com igual entusiasmo ao marxismo e ao budismo. Por número de anos, ganhou o primeiro véio barbudo. Na próxima vez, conta estar milímetros mais próxima da iluminação.

Nao aprendeu a amar o frio, mas pelo menos conheceu o hygge e também a Escandinávia. Amou ambos igualmente, mas se pudesse, estava escondida em Arraial do Cabo perto das tartarugas.

Quis muito amar todos os seres, mas principalmente quanto às pessoas, fracassou miseravelmente quando as viu mais de perto. Era ela mesma uma ótima companhia, desde que respeitados longos intervalos entre uma convivência e outra.

Ficou longe, bem distante, de ler todos os livros que comprou; não parou de ler por um único dia sequer, durante anos a fio. Achava isso maravilhoso, ao invés de angustiante.

Tentou dominar a mente, mas sucumbiu aos 5 sentidos. Dia após dia, comeu mais do que o corpo necessitava.

Manteve um bom gosto para vinhos incompatível com seu poder aquisitivo. Coleciona ocasiões em que, com bolinhas de espumante na língua, achou que estava no céu.

Era um protótipo de velhinha descolada, cabelo azul celeste, jogadora de tarô e pintora de aquarelas. Pensou em ser avó, mas para pular a parte dos filhos, tencionava adotar im casal adulto já em idade reprodutiva.

Descobriu os poderes mágicos do banho de floresta, da ayurveda e de um belo foda-se. Tinha diversos projetos em andamento, que só faziam sentido para ela.

Ainda bem, esse nao é um epitáfio. É só um pequeno exercício de contar as coisas que importam no dia de hoje, e o que pode vir a importar amanhã.

Manter a flexibilidade, a curiosidade e cultivar uma mente serena continuam no protótipo em pleno andamento. Oi, futuro!

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